terça-feira, novembro 04, 2008

Camisola Aran (parte II) / Aran sweater (II)

Terminada! Mesmo a tempo do frio que entretanto chegou.
Esta camisola deu-me algum trabalho, como é habitual nos trabalhos sem molde. A certa altura temos de avançar por tentativas. Acertar a parte superior das mangas com as cavas levou a alguns faz/desmancha/refaz. Outro detalhe foi o decote. De resto, o trabalho correu muito bem e foi uma satisfação enorme ter tricotado a primeira camisola para a minha cara-metade.
A Stephanie Pearl-McPhee, no livro Knitting Rules! refere-se à Maldição da Camisola, que diz mais ou menos o seguinte: “Se se tricota uma camisola para um companheiro romântico antes de haver algum vínculo legal, pouco tempo depois da entrega da camisola, ele irá terminar a (até aí) feliz relação e levar a camisola com ele. Como se calcula, isto é muito doloroso. Há sempre outros pretendentes e as pessoas sobrevivem ao fim de uma relação afectiva. A verdadeira tragédia é que ele se vai embora com uma excelente camisola...”
Penso que não será o nosso caso. Eu arranjaria maneira de reaver a camisola, de qualquer modo ;)

It’s finished! Just in time, as the cold weather is arriving.
As usual in projects without pattern, it took some hard work to achieve. Sometimes one must simply try on. Matching sleeves with armholes took me to some do/undo/redo. Another detail was the collar. In other hand, work really well and it gave me an enormous satisfaction knitting the first sweater for my soul mate.
Stephanie Pearl-McPhee, in her “Knitting Rules!” book, refers to the Sweater Curse, which holds that “ if you knit a romantic partner a sweater before there’s a commitment with some sort of legal binding, he will, within days or weeks of your delivering a sweater into a previously happy relationship, dump you and take the sweater with him. This is quite painful. There really are other fish in the dating sea and people survive painful break-ups all the time. The real tragedy is that he gets away with a great sweater…”
I think it won’t be our case. I’ll find some way of getting back the sweater anyway ;)


Receita: original (mais detalhes aqui)
Fio: Rosários 4 Ecowool 100% lã (50g/80m) na cor 49 – cerca de 20 novelos
Agulhas: 5 mm

Pattern: my own (more details here)
Yarn: Rosarios 4 Ecowool 100% wool (50g/80m) in shade 49 – about 20 skeins
Needles: 5 mm
Decote em V
O meu namorado queria um decote em V que não fosse muito aberto. Eu gostei da ideia de fazer um decote destes, mas sem seguir uma receita, era provável que não acertasse à primeira... As medidas que deixei para o decote pareciam-me suficientes mas, depois de tricotar o canelado do decote, obtive algo como um decote em V de gola subida: ficava demasiado justo ao pescoço! Solução: desmanchar e refazer a parte superior da frente da camisola de modo a alargar o decote. À 2ª tentativa o decote resultou aconchegante sem ficar apertado, na medida perfeita.
Fazer um decote em V é muito simples:
- marcar a malha central do decote (malha de meia),
- a cada 2ª volta enfiar a malha central e a malha anterior com a agulha direita como se fosse tricotá-las em meia e passá-las sem as tricotar,
- tricotar a malha seguinte e passar as 2 malhas anteriores sobre a malha tricotada.

V-neck
My boyfriend wanted a v-neck that was not very wide. I liked the idea of knitting this sort of neckline, but without a pattern it was quite probable I couldn’t do it right at first time… The first measures I took for the neck shaping seemed me right but after knitting the collar I got something like a turtle-V-neck, too tight! Solution: undo and redo the upper front to enlarge neck shaping. At second try I got the perfect measure.
Knitting a V-neck is very simple:
- place a marker on the central stitch (knit stitch),
- each second row, slip the central stitch and the anterior stitch knitwise to right-hand needle without knitting,
- knit following stitch and pass the 2 slip stitches over the knitted stitch.


O canelado com montagem tubular
Eis o pormenor da montagem tubular que eu utilizei no canelado 1/1 dos punhos e do cós e que já expliquei como fazer aqui. Como podem verificar, não se percebe a linha de montagem dos pontos, a orla do punho fica perfeitamente elástica, semelhante aos canelados das peças feitas industrialmente.

Rib and tubular cast-on
Here there is the detail of tubular cast-on I used on 1/1 rib and I already explained how to do
here. As you can see, cast on isn’t perceptible, the edge results elastic just like the ribs of industrial knitted pieces.


Muito quentinha e confortável, nem o Nino resistiu.
Very warm and cosy, even Nino was pleased.

Etiquetas: ,

sexta-feira, maio 09, 2008

Montagem tubular / Tubular cast-on

Descobri há pouco tempo que não tinha a notificação de novos comentários activada, quando vi uma série de comentários mais ou menos recentes em postagens mais antigas. Num desses comentários uma visitante queria saber como se fazia a montagem tubular.
Achei interessante explicar aqui esta técnica, porque é uma montagem muito útil para dar aos canelados um acabamento mais resistente, elástico e profissional, sobretudo nas camisolas. Com algum atraso, aqui vai, espero que seja útil a quem mo solicitou (uma anónima que não deixou contacto) e a todas as tricotadeiras que ainda não conheçam.
Eu aprendi esta técnica a partir de uma revista Labores del Hogar de 1996, que por acaso tinha as instruções trocadas e me fez andar às voltas até conseguir chegar ao resultado final. Sei que pode haver pequenas variações mas esta é a maneira como eu faço e o resultado é garantido.

A visitor asked me about tubular cast-on. I thought it was interesting to explain this technique here, because it is a so useful method which provides a resistant, elastic and professional finishing to ribbings, especially those we use on sweaters. I hope this will be useful to everyone who doesn’t know yet. I learnt it from an old magazine which incidentally had instructions mistaken and it took some time until understand it. I know that may have slightly differences but this is the way I do and the result is guaranteed.

Montagem tubular
Tubular cast-on

1. Começa-se por montar metade das malhas pretendidas com um fio auxiliar de cor diferente. No final vamos obter o dobro das malhas montadas menos 1.
Exemplo: montei 12 malhas e no fim vou obter 23 (12x2=24 e 24-1=23).
Aqui temos as 12 malhas montadas com o fio auxiliar (rosa):

1. Using contrasting waste yarn, cast on half the number of required stitches for the ribbing. In the end, there will be the double amount of stitches minus one.
Example: cast on 12 st and you'll get 23 st (12x2=24 and 24-1=23).
Below 12 st with waste yarn (pink):




2. Tricotar uma volta em liga (tricô):
2. Purl one row:


3. Juntar o fio do trabalho (azul) e tricotar em meia:
3. Join the working yarn (blue) and knit next rows:


4. Tricotar 3 voltas em ponto de meia (jersey direito) com o fio do trabalho terminando numa volta de meia. Virando o trabalho ele apresenta-se do lado do avesso:
4. With working yarn work 3 rows in stockinette st finishing at right side. Turning the work it presents from wrong side like this:


5. Tricotar a 1ª malha em liga (tricô):
5. Purl the first stitch:

6. Passar o fio para trás do trabalho e apanhar a malha azul que se vê em baixo no meio das malhas rosa:
6. With yarn at the back of the work, pick up first blue loop in the middle of pink sts:

7. Passá-la para a agulha esquerda e tricotá-la normalmente em meia:
7. Bring the loop to left-hand needle and knit it normally:


8. Passar o fio para a frente do trabalho e tricotar a próxima malha da agulha esquerda em liga (tricô):
8. Bring yarn to the front of the work and purl next stitch from left-hand needle:




9. Passando o fio para trás do trabalho, apanhar outra malha de baixo, passá-la para a agulha esquerda e tricotá-la em meia:
9. Again, with yarn on the back of the work, pick up another blue loop, slip it to left-hand needle and knit it:



10. Continuar a tricotar até ao fim da volta, alternadamente, uma malha da agulha esquerda em liga (tricô) e uma malha apanhada em baixo em meia. No fim obtém-se 23 malhas:
10. Repeat until the end: alternately purl one stitch from left-hand needle and knit one loop picked up from the middle of waste yarn. In the end you will get 23 st:


11. Retirar o fio auxiliar e trabalhar o canelado como se apresenta.
11. Remove waste yarn and work the ribbing as it presents.


Com este método obtém-se um canelado com uma ourela igual à das peças tricotadas à máquina que se compram nas lojas.
With this method you get a ribbing edge equal to a machine-knitted one.

Etiquetas:

sexta-feira, setembro 22, 2006

Camisola às riscas azuis e brancas

A minha obra de Verão, determinada desde que vi no site da Gedifra uma assim (faz parte de uma colecção de Verão mais antiga que já não está disponível no site – imagem superior).
400g de Âncora Criativa (100% algodão, 125m/50g), ag. nº 3 ½.

O projecto inicial...

...A obra final


Demorou-me algum tempo a terminar, o que se explica com o não estar a seguir um molde e ter de perder algum tempo a improvisar. Mas valeu a pena e deu-me muito gozo, até porque a parte de tricotar propriamente dita é rápida (“vou fazer só mais uma risca!”).

Foi feita em duas partes: frente e costas. Em cada parte as mangas foram tricotadas logo juntamente com o corpo, na horizontal. Depois, para não existirem costuras nos ombros e as riscas continuarem sem interrupção, as duas partes foram unidas ao nível dos ombros com a técnica do “grafting”, que é uma técnica muito interessante.

Consiste em unir duas peças passando o fio com uma agulha de coser por entre as malhas, de modo a reconstruir uma carreira de malhas. Não fica nenhuma costura, o resultado final é uma junção invisível.
É bastante útil para unir peças, acrescentar partes a uma peça já feita ou mesmo para resolver erros a meio de uma peça sem necessitar de desmanchar metade do trabalho: nestes casos desfaz-se uma volta no sítio pretendido separando o trabalho em duas peças, resolve-se o erro e volta-se a unir as partes. Isto serve para aumentar ou diminuir um trabalho (por exemplo, uma camisola) sem necessidade de desmanchar tudo o que já foi feito.
Os esquemas abaixo e mais pormenores da técnica estão no site da Phildar em “Conseils Tricot": Conseils et Astuces.

Em jersey direito:


Em jersey do avesso:

Pormenores do ombro com grafting ou seja... um ombro sem costura:

Decote:

Acabamento em bruto nas mangas:

O engraçado foi que acabei por ter de usar o grafting uma outra vez, que justifica bem a utilidade deste método na resolução de erros: apesar do cuidado na contagem das riscas, acabei com uma risca azul a menos nas costas, antes das mangas, e só dei por isso quando já ia juntar as peças!! Ia tendo um ataque… mas em vez disso, abri no sítio que tinha de acrescentar (entre o corpo e as mangas), fiz as riscas que faltavam e uni ao resto da peça. É rápido e vale bem mais a pena do que desfazer tudo até à risca que falta: neste caso significava desfazer a parte das mangas totalmente tricotada!!

O cós foi feito com a técnica do cós duplo. Como é feito em liga, para não revirar dobra-se metade para dentro. A inovação é que isto é feito logo no início, nas agulhas de tricô, sem necessitar de coser! Vi esta técnica numa revista para o ponto de meia, mas pode-se fazer para o ponto de liga, como neste caso.

Cós duplo

Basicamente, faz-se assim: calcular a altura de cós que se pretende e tricotar o dobro de centímetros. Parar após uma volta do avesso. Colocar as malhas da orla de montagem numa agulha auxiliar fina. Com o direito virado para nós, dobrar o cós ao meio de modo a ficar com a agulha auxiliar atrás da agulha principal. Agora, na volta do direito, tricotar juntas 1 malha de cada agulha. No fim da volta, o cós já está dobrado e “cosido” e pode-se continuar normalmente o trabalho.

Etiquetas: ,